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"Kaô Kabecilê, vamos caminhar e fazer justiça!" é o tema do primeiro Patrimônio É... 2021

O evento vai ser online, no canal do Youtube da Fundação Gregório de Mattos, próxima quarta-feira (24), às 18h30.

20/05/2021 12h34
Por: Redação
Pedra de Xangô no bairro de Cajazeiras. Foto: Lúcio Távora
Pedra de Xangô no bairro de Cajazeiras. Foto: Lúcio Távora

A Prefeitura de Salvador, por meio da Fundação Gregório de Mattos, apresenta edição 2021 do Patrimônio É..., com o tema "Kaô Kabecilê, vamos caminhar e fazer justiça!". Este ano, os temas vão propor reflexões sobre as ações de preservação e manutenção em torno do patrimônio cultural da cidade de Salvador, alguns desses são ligados às religiões de matriz africana, e essa roda de conversa especial será sobre a Pedra de Xangô. O evento vai ser online, no canal do Youtube da Fundação Gregório de Mattos, próxima quarta-feira (24), às 18h30.

A mesa contará com a participação de Ìyá Márcia d'Ọ̀gún, Ìyalọ̀ríṣá do Ìlẹ̀ Àṣẹ Ẹwà Ọ̀lódùmarè, Professora Mestra e conselheira do Conselho Municipal de Política Cultural; de Leonel Monteiro, presidente da AFA – Associação Afro-Ameríndia; de Pai Barosi de Ode, líder religioso do Ilê Axè Ode Aty Ya Re, em Cajazeiras XI; Fábio Velame, Doutor e Mestre em Arquitetura e Urbanismo pelo PPGAU-UFBA; e do vereador e ex-secretário da SECIS - Secretaria Municipal de Sustentabilidade, Inovação e Resiliência e André Fraga. A mediação ficará a cargo de Gabriella Melo, historiadora e gerente de Patrimônio Cultural da FGM.

Pedra de Xangô um local sagrado com direitos preservados

A Pedra de Xangô, símbolo sagrado e elemento cultural afro-brasileiro, localizada na Avenida Assis Valente, em Cajazeiras, tem recebido cuidados constantes através de ações promovidas pela Prefeitura. Tombada em maio de 2017, por meio da Fundação Gregório de Mattos (FGM), a pedra é patrimônio cultural do município.

Por meio da Secretaria de Sustentabilidade, Inovação e Resiliência (Secis), o local passou a fazer parte da Área de Proteção Ambiental (APA) do Vale da Avenida Assis Valente e Parque em Rede Pedra de Xangô, que criou o projeto Parque Pedra de Xangô, fruto de uma antiga demanda da comunidade de Cajazeiras e das religiões de matriz africana. A ordem de serviço para a execução da obra de implementação foi assinada em fevereiro de 2020. 

Para Leonel Monteiro, presidente da Associação Afro-Ameríndia (AFA), uma das entidades que solicitaram o tombamento da Pedra de Xangô, o reconhecimento como patrimônio cultural do município é o principal instrumento para preservação dos sítios religiosos, arqueológicos e culturais da cidade. 

“Por isso solicitamos à Prefeitura o tombamento da pedra e de todo seu entorno. Isso ajuda a preservar o patrimônio natural, religioso e cultural da nossa cidade. Até porque para que seja realizado o tombamento precisa ser traçado uma poligonal. Dentro dela, tudo que ali estiver contido, nós e o poder público temos a obrigatoriedade de preservar na sua originalidade. Como é um monumento natural, entendemos e fizemos esforços para que toda a área que ainda há algum manancial aquífero e de vegetação se transformasse em uma área de proteção ambiental através do parque”, detalhou. 

“Parque Pedra de Xangô. Lugar do sagrado - centro de reverência; lugar da ciência - centro de referência; lugar de resistência - encruzilhada religiosa, política e comunitária  do povo de terreiro de Salvador. Parque Pedra de Xangô, uma construção coletiva e cidadã que deu certo. Poder público, comunidade religiosa e ciência trabalhando juntos na implantação do primeiro parque a levar o nome de um orixá no Brasil, Parque Pedra de Xangô. Parabéns ao tripé. Inaugurando uma nova era de se implantar políticas públicas em Salvador, por isso, Pedra de Xangô é enredo, é rede.”, enaltece Maria Alice Silva, autora do livro "Pedra de Xangô um lugar sagrado afrobrasileiro na cidade de Salvador", doutoranda em Arquitetura e Urbanismo pelo PPGAU - UFBA.

“Preservar a Pedra de Xangô é proteger os remanescentes naturais locais (massa verde e manancial hídrico), que, além de servir de moldura para a pedra, reserva mérito de preservação em si mesmo, como elemento de identidade cultural, por se constituir em espaço simbólico e de memóriaao que se considera: ‘sítio histórico do antigo Quilombo do Buraco do Tatu’; e devido à característica peculiar da área, que serve ao culto do candomblé, sendo apropriada pela população de terreiros; legítimos herdeiros de saberes e fazeres, que reforçam e recriam as dinâmicas da cultura afro-brasileira nesse território, reconhecendo-o e o autenticando-o como sagrado, conforme elenca Milena Tavares, diretora de Patrimônio e Humanidades da FGM, em seu parecer.

 Vandalismo

O espaço, que é sagrado para os adeptos das religiões de matriz africana, constantemente é alvo de ataques com cunho de intolerância religiosa. Em janeiro de 2019, foram jogados 100 kg de sal grosso no local, retirados pela Limpurb e, em seguida, pelo povo de santo, que realizou a limpeza em conformidade com os ritos sagrados. 

Entre 28 de novembro e 11 de dezembro de 2020, a FGM contratou empresa especializada, a Jeanart Arte e Restauro, a fim de realizar intervenção de restauro com a remoção das pichações com inscrições de conteúdo de intolerância religiosa, feitas por ação de vândalos, que deturpavam o monumento, de maneira que não agredisse a superfície da Pedra, nem os elementos naturais em seu entorno. 

Limpeza

Por meio da Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb) estão sendo realizadas intervenções periódicas no local, intensificadas em decorrência das obras que estão sendo executadas para a criação do Parque Pedra de Xangô. As intervenções contemplam serviços de roçagem manual e mecanizada, sacheamento, gancheamento, varrição e coleta dos resíduos.

 Fonte: Fundação Gregório de Mattos

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