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Setor automotivo critica política industrial brasileira em debate na Câmara

Sindicalistas e empresários do setor automotivo cobraram do governo federal nesta quinta-feira (25), em audiência pública na Câmara dos Deputados, ...

25/11/2021 16h00
Por: Redação Fonte: Agência Câmara de Notícias
Aroaldo Oliveira da Silva: Rota 2030 carece de articulação mais ampla - (Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados)
Aroaldo Oliveira da Silva: Rota 2030 carece de articulação mais ampla - (Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados)

Sindicalistas e empresários do setor automotivo cobraram do governo federal nesta quinta-feira (25), em audiência pública na Câmara dos Deputados, uma política de desenvolvimento industrial mais efetiva para o País.

Aroaldo Oliveira da Silva, presidente da IndustriALL-Brasil – entidade que representa 10 milhões de trabalhadores dos segmentos metalúrgico, químico, têxtil e de construção civil, energia e alimentação –, disse que a atual política para a área automotiva não está sendo capaz de evitar a desindustrialização, o fechamento de empresas e o desemprego. O setor, ressaltou ele, representa 18% do PIB industrial e 3% do PIB total brasileiro, gerando quase R$ 80 bilhões em tributos.

“Estamos enxergando o Rota 2030 como diversos pequenos projetos subsidiados, mas que não estão dando liga para a consolidação do setor automotivo no Brasil”, disse Silva, que participou do debate proposto pelo deputado Vicentinho (PT-SP) na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público.

Articulação mais ampla
Na avaliação da IndustriALL-Brasil, o Rota 2030, criado em 2018 pelo governo em substituição ao Inovar Auto, apesar de adotar estratégia semelhante – desenvolvimento tecnológico, competitividade, inovação, segurança veicular, proteção do meio ambiente, eficiência energética e a qualidade de automóveis –, ainda carece de uma articulação mais ampla sobre as etapas de produção e o uso de conteúdo nacional.

"O Brasil não é o único país a desenhar políticas públicas com gastos tributários [incentivos a empresas, sobretudo desonerações e empréstimos subsidiados], mas temos de consolidar quais são as contrapartidas: o conteúdo nacional, a sofisticação tecnológica, a qualificação profissional. Temos de pensar também em como criar empresar brasileiras”, acrescentou Aroaldo Silva.

Fausto Augusto Júnior: saída da Ford mostra que modelo industrial precisa ser revisto
Fausto Augusto Júnior: saída da Ford mostra que modelo industrial precisa ser revisto - (Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados)

Vicentinho informou que já obteve o apoio do presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para a criação de uma comissão mista que discutirá a indústria nacional, principalmente a automobilística. “As portas estão abertas, agora é preciso uma pressão democrática para que o Parlamento tenha essa sensibilidade”, declarou. “Há tempos, queríamos discutir a valorização do conteúdo nacional”, completou.

Ford
A decisão da Ford de fechar fábricas no Brasil foi apontada por diversos debatedores como um sinal de que o modelo industrial atual precisa ser revisto. "A saída da empresa impactou mais de 6 mil trabalhadores direitos. E quando se faz o cálculo multiplicador, são mais de 120 mil postos de trabalho fechados, considerando os segmentos de autopeças, fornecedores e terceiros”, comentou o diretor-técnico do Departamento Intersindical, de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Fausto Augusto Júnior.

Segundo ele, apesar de haver razões próprias para ter deixado o Brasil, falhas na política pública de desenvolvimento industrial também indeferiram na decisão da montadora. "A Ford se beneficiou de diversos incentivos fiscais no País, só do BNDES foram mais de R$ 5 bilhões, mas, de alguma forma, tudo isso não segurou a montadora aqui”, afirmou.

Presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores  (Anfavea), Luiz Carlos Moraes disse que o País tem a maior carga tributária do segmento no mundo e apontou o custo Brasil como um dos principais entraves para o desenvolvimento do setor automotivo nacional. “O Brasil não é competitivo, a carga tributária é muito grande. Os encargos trabalhistas são muito grandes. A empresa gasta duas vezes e meia o que paga ao trabalhador”, argumentou.

Responsabilidade social
Procurador do Trabalho e coordenador nacional de Promoção da Liberdade Sindical, Ronaldo Lima dos Santos propôs que o Brasil adote um modelo de desenvolvimento industrial que, além de prever incentivos, cobre das empresas responsabilidade social.

“A Ford está montando um parque industrial na África do Sul, gastando mais de R$ 5 bilhões, e, para desmobilizar suas unidades no Brasil, está gastando mais R$ 4 bilhões. O que está acontecendo? Por que uma empresa que vendia 100 mil carros aqui está deixando o País?, questionou.

"Muitas empresas, ao montarem seu parques industriais pegam incentivos do poder público, mas não verificamos cláusulas protetivas dos direitos sociais que impeçam, por exemplo, demissões em massa”, concluiu o procurador.

Não foram convidados representantes do governo federal para o debate na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público.

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